Port Stanley, 2 de abril de 1982.
Soldados do exercito argentino desembarcam na capital das malvinas e rapidamente tomam o controle da ilha. No continente, o governo anuncia o sucesso da missão e a vitoria contra os britânicos e a população toma as ruas em comemoração ao grande feito.
Mas isso não iria ficar tão barato assim.
[Introducao]
Constituida por duas grandes porções de terra e mais de 700 outras pequenas ilhas com aproximadamente 12000km bem ao sul do continente americanos, acredita-se que a ilhas que compõe as malvinas tenham sido avistadas pela primeira vez em 1600 por navegadores holandeses. Entre 1764 e 1765 franceses e ingleses se estabeleceram cada um em um dos lados da ilha.em 1776 a França vende a ilha para os espanhois que imediatamente declaram guerra aos ingleses mas encerrando a disputa ja em 1777 com um acordo mantendo a divisão das duas ilhas.
Em 1811, devido as guerras por independência de seus territórios na América, os espanhois partem, abandonando por completo a ilha visto que os ingleses já haviam abandonado a ilha ainda em 1776 devido a guerra de independência americana. Com a independência argentina da Espanha, a posse da ilha passou a ser questionada pelo sul-americanos, que entendiam que a ilha fazia parte dos territórios espanhois.
Em 1820, chegam os primeiros argentinos a e iniciam a formação de uma pequena colonia ate que em 1833, a fragata inglesa HMS Clio aporta na ilha, convida os argentinos a se retirarem e retoma possa de ilha. A inglaterra finalmente inicia a ocupação da ilha enviando colonos principalmente da Escócia e do pais de Gales.
A argentina nunca deixou de reclamar a possa da ilha. Em 1945 levaram ate a recém criada ONU um pedido de mediação. Em 47 foi a vez dos britânicos tentarem o tribunal de Haia, pedido esse prontamente recusado pelos argentinos.
Em 1964 a ONU determinou que ambos os países entrassem uma solução pacifica e que levasse em consideração o direito a auto-determinação dos habitantes da ilha. A argentina protestou alegfando que os habitantes da ilha não eram nativos, mas sim colonos enviados pelos ingleses. A verdade, e que considerando apenas o caráter da exploração colonial, segundo o historiador neozelandês John Dunmore, vários países poderiam, fazer alguma reivindicação sobre o arquipélago sob o título de primeiros descobridores: Espanha, Países Baixos, Reino Unido, Itália e até mesmo e Portugal…
Alguns incidentes ainda marcaram a disputa pela ilha. Em 1966, 20 revolucionários argentinos sequestraram o avião DC4 e obrigaram o piloto a pousar na ilha, fazendo quatro moradores como reféns. A Força de Defesa das Ilhas Falkland e o destacamento local dos Royal Marines cercaram a aeronave e os sequestradores. Os sequestradores se renderam e foram enviados de volta à Argentina, e nenhuma vida foi perdida.
Em novembro de 1968, um pequeno avião pousou nos arredores de Port Stanley, sugerindo um alerta semelhante, mas os passageiros eram jornalistas argentinos desarmados.
Em 1976, uma canhoneira argentina disparou contra um navio Británici e em novembro daquele ano, uma equipe da Força Aérea Argentina aterrissou em Thule e montou uma pequena base militar com quarteis, heliporto, estação de rádio e um mastro, no qual a bandeira do país foi hasteada. A nova base, denominada Corbeta Uruguay, não foi anunciada publicamente, mas foi descoberta pelos britânicos um mês depois. O governo britânico fez vários protestos oficiais, mas a base permaneceu em mãos argentinas até o final da Guerra das Malvinas.
Em 1977, a marinha argentina interrompeu o fornecimento de combustíveis ao aeroporto de Port Stanley. O governo do Reino Unido, preocupado com o fato de que a Argentina poderia organizar uma expedição armada, despachou o submarino nuclear HMS Dreadnought e mais duas fragatas.
Ocorrerem algumas conversas entre argentinos e ingleses entre os anos de 64 e 81, obtendo certos progressos como voos regulares e o abastecimento de óleo e gás, porém, o assunto da soberania local era sempre deixado de fora.
Naquela época, os habitantes da ilha, conhecidos como Kelpers, acreditando que uma aproximação com a Argentina seria um primeiro passo para uma futura independência, pressionavam o parlamento britânico em seu favor. Esse apóio essa que deixou de existir assim que os argentinos deixaram claro que não iria reconhecer os direitos da população à auto-determinação.
No Inicio dos anos 80, tanto a Argentina quanto a Inglaterra passavam por algum tipo de dificuldade. No lado sul-americano, uma ditadura militar implantada nos anos 70 perseguia oposicionistas ao mesmo tempo em que dilapidava a economia do país. Diversos protestos pelo pais davam o tom da insatisfação popular em virtude da extrema violencia com que agiam os militares. O governo tentava então trazer a população a seu favor tentando apontar um inimigo externo que pudesse unir a todos. Em 1978, a bola da vez argentina era o Chile, com quem disputava porções de terra na terra do fogo.
Do outro lado do atlântico, a Inglaterra também enfrentava problemas. A politica econômica implantada pelo governo da primeira ministra Margareth Tatcher com o objetivo de recuperar a economia do pais tinha tornado seu governo extremamente impopular. Os cortes atingiam também os militares com o sucateamento ou venda de navios e porta aviões
Para ambos os lados, a situação era extremamente propícia para um arroubo de nacionalismo.
Ignorando vários aspectos históricos e apenas considerando que os problemas da Inglaterra aliado ao fato de que a distancia de quase 13000km da ilha para Londres seriam suficientes para impedir uma respostam mais enérgica, a junta militar traçou em 1981 um plano de invasão da ilha no ano seguinte. Tentando forçar uma negociação com a Inglaterra, o objetivo era desviar a atenção da população do pais para os problemas que a Argentina enfrentava na época.
Em dezembro de 1981, um argentino chamado Constantino Davidoff adquiriu os direitos de desmontar e retirar o metal sucateado das, agora desativadas, estações de observação de baleias na Geórgia do Sul e acabou involuntariamente fazendo parte do plano de tomada da ilha. No dia 17 de março de 1982, ele e 41 trabalhadores aportaram em Leith, sem permissão e sem alertar a base da British Antarctic Survey.Ao serem descobertos, receberam ordens para que s reportassem ao comando da base de Grytviken para maiores instruções. Enquanto isso, o HMS Endurance chegava à Geórgia do Sul, com uma equipe de Royal Marines a bordo.
Um sinal amarelo acendeu em Londres, que conjecturou que a Argentina poderia estar realmente planejando invadir as ilhas. Sem perder tempo, os ingleses decidiram enviar alguns submarinos para a região no fim de março de 82 e que so chegariam nas Malvinas pelo menos duas semanas depois.
Diante do acirramento dos protestos na Argentina e novas greves marcadas para os próximos dias, a Junta Militar antecipar a execução da invasão mandando no dia 28 de março navios comerciais lotados de soldados. No dia 31 foi a vez do submarino ARA Santa Fe.
A tomada da ilha foi rápida. Diante de uma pequena guarnição inglesa de cerca de 40 homens, em poucos dias os argentinos assumiam o controle da ilha. Alem disso, os argentinos procuraram agir com cortesia afim de conseguir apoio dos kelpers ao mesmo tempo que mandavam os militarem ingleses de volta para seu país via uruguai. Não satisfeitos, os argentinos partiram também para a ilha Geórgia do Sul e Sandwich do sul. De fato, Essas duas ilhas nunca fora possessão argentina ou mesmo espanhola.
A noticia da retomada da ilha se espalhou rapidamente pela Capital Buenos Aires. A população saia as ruas não mais para protestar, mas sim para comemorar. Até mesmo greves foram canceladas. Parecia que tudo sairia conforme os militares foram haviam planejado.
Já na Europa, a noticia da invasão foi pessimamente recebida. A imagem dos soldados inglesas com o rosto no chão subjugados pelos argentinos rodaram rapidamente o mundo, inflamando o discurso políticos e o clamor da população. Poucas vezes, governo e oposição haviam concordado como no caso das Malvinas. A argentina sem querer havia acordado um leão adormecido. A Inglaterra, outrora senhora dos mares, dona de mais da metade das terras do mundo e onde o sol nunca se punha iria responder a altura.
Ate mesmo o líder do Partido Trabalhista inglês, Michael Foot – tradicionalmente um pacifista –, defendeu a intervenção armada para retomar o arquipélago defendendo o argumento de que “As garantias dadas pelo exército invasor valem tanto quanto as garantias oferecidas pela mesma Junta Militar aos seus próprios concidadãos. Não se deve esquecer que milhares de argentinos que lutaram por seus direitos políticos foram presos e torturados”. Pouco tempo depois, talvez observando o impacto que seu apóio a alguem da oposicao tinha politicamente, Foot voltou atrás.
A reação internacional também surpreendeu a Argentina que se confiou no apoio dos paises americanos devido ao TIAR – tratado inter-americano de assistência reciproca assinado em 1947 e que garantia apoio das demais naçoes americanas em caso de guerra. Entretanto, Brasil e Chile oficialmente se declararam neutros. Os estados Unidos, a princípio tentou mediar as negociações de paz, porém no desenrolar da guerra, com o argumento de que a Argentina seria a nação agressora, acabou ficando do lado inglês fornecendo apoio logistico e de inteligencia atraves de imagens por satelite. E bom lembrar que os Estados Unidos, junto com a Inglaterra faz parte da OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte. Ao colocar na balança, certamente os Estados Unidos entendeu que o apoio a Inglaterra era mais vantajoso.
A partir de 12 de abril, os primeiro submarinos ingleses chegam na ilha e impõe uma a zona de exclusão, onde qualquer embarcação argentina num raio de 200 milhas seria afundada. No dia 23 de abril, helicópteros ingleses lançam misseis contra o submarino argentino Santa Fé que graças a uma série de felizes coincidências não foi afundado naquele dia. O Santa Fé era tão antigo e mal conservado que mal controlava o nível ao ficar submerso. Em dado momento, foi atingido por uma carga de profundidade que inundou os tanques de fluatação e o obrigou a emergir se tornando um alvo fácil para os ingleses. Sobre o mar, foi atingido por misseis que lhe atingiram a torreta que havia sido substituída ainda nos anos 60 por uma peça de plastico, que não ofereceu resistência suficiente para explodir o míssel. Antes de aportar e ser evacuado, o submarino ainda foi foi atingindo nas hélices por um torpedo que só não explodiu por ser programado para ativar a carga explosiva somente embaixo d´agua.
No dia 2 de maio, ocorreu a maior derrota da marinha argentina. Apesar se estar fora da zona de exclusão imposta pela Inglaterra, o cruzador General Belgrano, um veterano navio que esteve presente no ataque a Pearl Harbor, foi atingindo por torpedos disparados por um submarino inglês. O afundamento causou a morte de 323 marinheiros e foi responsável pela retirada das forças navais argentinas que a partir dali ficaram aportadas no continente para evitar mais perdas.
Em Maio tambem comecaram os combates aereos. Atraves da operação black Buck, a Inglaterra conseguiu atacar com bombas a ilha. O processo era extremamente engenhoso e arriscado. Os bombardeiros Vulcan partiam da ilha Ascenção, a 6300 km do alvo acompanhado de nada menos que 11 aviões do tipo Victor, um bombardeiro convertido em avião tanque e que atraves de uma combinada serie de abastecimentos em ar permitiriam que os Vulcans alcançassem as malvinas e retornassem para ascensão. Ao todo foram realizados 7 ataques, sendo que em um deles, devido a problemas tecnico, o Vulcan foi impedido de fazer o reabastecimento e teve que pousar no Brasil, escoltado por caças da FAB. Esse acontecimento gerou um principio de um incidente diplomatico com o Brasil recebendo criticas tanto da Argentina quanto da Inglaterra. Ao final, tripulação e aeronave foram devolvidos para a Inglaterra. Entretanto, um missel AGM-45 Shrike que não pode ser descartado acabou ficando no Brasil.
Sem o apoio da marinha, restava apenas a força aerea continuar os combates nas aguas do atlantico sul. Alias, e importante destacar que foi a força aérea argentina, na medida do possível, conseguiu alcançar os maiores exitos contra os ingleses em todas as 3 forças.
Diplomaticamente isolada e militarmente em desvantagem, a Argentina se rendeu, depois de dois meses e meio de conflito, em 14 de junho de 1982. O fim da guerra representou não só uma derrota no campo de batalha como também o início do fim do regime militar argentino. Thatcher, que antes da guerra era uma das mais rejeitadas líderes de governo da história britânica, foi festejada como heroína.
Na Argentina, o general Leopoldo Galtieri renunciou, em julho, sob uma onda de manifestações populares contra a ditadura. Seu sucessor, o general Reynaldo Bignone, iniciou as negociações para devolver o poder aos civis. O candidato da União Cívica Radical (UCR), Raul Alfonsín, venceu as eleições presidenciais de dezembro de 1983.
Considerando o potencial de ambos os paises podemos considerar que a Argentina impos uma grande baixa as forças inglesas. Entretanto, a superioridade belica e tecnológica inglesa acabou por sufocar as pretençoes portenhas. Ao fim da guerra a argentina tinha 649 soldados mortos 1068 feridos e mais de 11 mil capturados contra 225 soldados e 3 civis mortos, 777 feridos e 115 aprisionados do lado inglês. As perdas de navios e avioes ingleses, apesar de bastante significativas foram inferiores as da Argentina.
Três anos depois, os chefes militares das Malvinas foram condenados a penas de 8 a 12 anos.
As relações diplomáticas entre britânicos e argentinos ficaram suspensas e só timidamente foram reatadas a partir de 1990.
Ainda nos dias de hoje, a Argentina questiona a autoridade britânica sobre as Falklands. Em 2012 a abertura solicitou a reabertura das negociações entre os dois paises, o que foi imediamentamente recusado pela Inglaterra. Em 2013 foi realizado um referendo onde a esmagadora maioria da população da ilha optou por se manter sob a zona de influência inglesa. Tal referendo não foi aceito pela Argentina, que argumenta que a população da ilha e composta por descendentes do primeiros colonizadores britânicos e não por nativos classificando a sua realização como uma piada. A movimentação militar britânica na região com o argumento de um possível novo ataque argentino tem colocado um pouco mais de lenha na fogueira dessa delicada discussão. Coencidência o não, a Argentina passa por um momento de crise muito semelhante a aquele nos anos 70 e 80. Seria essa gritaria pela incorporação da ilha apenas uma nova tentativa de desviar as atenções para um inimigo externo?
O Fato é que hoje as ilhas são britânicas e enquanto essa seja a vontade dos seus habitantes, é de bom tom que continue assim. O argumento de que a possa britânica é herança do colonialismo europeu dos seculos XVII e XVIII acaba se perdendo quando existem dezenas de casos semelhantes ainda hoje pelo mundo. Ou você ve alguem reclamando quanto a situação da Guiana Francesa?