O Bombardeio de Manaus

Este texto foi inicialmente escrito como um roteiro de podcast, portanto comentários e alguns erros de revisão poderão aparecer ao longo dele.

Manaus, 5:30 da manhã de 8 de outubro de 1910.

Sem qualquer aviso, a cidade é acordada com um estrondoso barulho. Aos poucos as pessoas começam a percerber que a cidade esta sendo bombardeada por navios postados as margens do Rio Negro. Ao mesmo tempo, um grupo de marinheiros e soldados do exercito subiam a rua Bernado Ramos em direção ao palácio do Governo, entrando em confronto com a Policia Militar. Manaus estava sendo atacada. E por aqueles que em tese deveriam defende-la.

[ABERTURA]

Mas o que levou a um ataque tão sem sentido?

Segundo o Coronel Joaquim Pantaleão Telles de Queiros, seus homens, ao tentar entregar um oficio ao governador foram recebidos a tiros pela policia, o que ocasionou a morte de um tenente e obrigado-os a atirar de volta.

Essa explicação deixa de fazer sentido quando se observa que eram 5:30 da manha e o governador estaria em sua casa, provavelmente ainda dormindo, e não na sede do governo.

Tal ataque foi na verdade a tentativa desastrada e mal preparada tramada em parte pelo vice-governador de derrubar o então goverador Antonio Clemente Bitencout, de quem possuia difereças políticas e para entenda-las, precisamos voltar um pouquinho mais no tempo.

Silvério Néri era Senador no ano de 1900, quando em virtude eleição para o governo do amazonas, ele planeja ida de seu irmão, o Coronel do Exercito Constantino Néri, para ocupar sua vaga no senado e ele vai governar o Estado. Ao final de seu mandato, volta ele ao senado e Constantino passa para o Governo do Amazonas. Porém quando tentaram trocar novamente, o Presidente Afonso Pena impediu o processo ao mesmo tempo que apareceu na imprensa em Manaus uma serie de escândalos administrativos de seu governo. Com isso Constantino decidiu retornar a vida militar, e Silvério permaneceu no Senado. Foram eleitos então para o Governo do Amazonas o Coronel Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt e como vice, o Senador Coronel Antônio Gonçalves Pereira de Sá Peixoto.

Bittencourt tinha sido o vice de Silvério Néri durante o seu governo. Ambos eram do mesmo partido e aparantemente amigos, até que no dia 13 de fevereiro de 1910 Silvério Néri é removido da liderança do partido e em seu lugar é aclamado o governador  Antônio Bittencourt

Na manhã dia 7 de outubro, véspera do ataque, em virtude da visita do deputado Antônio Monteiro de Souza, havia sido preparada uma grande recepção desde o porto da cidade onde compareceram 12 dos 19, membros do Congresso do Amazonas, o Governador, o Prefeito, Os cônsules dos países amigos, toda a imprensa, a Associação Comercial entre outros. Em consequencia disso, não ouve sessão no congresso.

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O Coronel Joaquim Pantaleão e enviado para Manaus com o objetivo de assumir o 46º batalhão de caçadores, ao mesmo tempo, recebeu ordens diretas de Nilo Peçanha para resolver a disputa entre o Governador Bittencourt e Silvério Néri.A princípio, o Governador se mostra propenso a concordar com o Coronel Pantaleão e se reaproximar de Silvério Néri, porém, acaba sendo desistindo e voltando atrás em sua decisão.

Alguns membros do Congresso do Amazonas sugeriram ao Coronel Pantaleão que retirasse o Governador a força, mas este declinou, dizendo que só com uma ordem vindo do Rio de Janeiro poderia fazê-lo, sugeriram então o problema do Jornal “Amazonas”, Bittencourt era o “proprietário” do jornal, porém, este também pertencia a Silvério Néri, e o foi, durante todo o seu mandato como governador e nunca foi obstáculo para nada, era, como na maioria dos jornais da época o órgão de divulgação do Partido Republicano da vez, mas segundo a constituição do Amazonas no artigo 43, o governador não poderia …

De qualquer forma Bittencourt tinha a maioria no Congresso do Amazonas e uma proposta de impeachment jamais passaria.

“Insistindo o Sr. Governador do Estado em não passar o executivo ao seu substituto legal, depois de ter perdido o mandato, em virtude do disposto  no art. 43 da Constituição do Estado, as  praças de terra e mar, solicitada pelo vice-governador em exercício, avisam  à população  que vão bombardear a cidade, a começar de 1 hora da tarde, afim de que todos tomem as devidas preocupações para garantia e segurança de suas vidas – Antônio G. Pereira de Sá Peixoto (vice-governador), Coronel Telles de Queiroz (Comandante da 1ª. Região Militar e Francisco da Costa Menezes (Comandante da Flotilha).

“POVO AMAZONENSE

As nossas liberdades estão perigando!

Os grandes interesses do Estado, sacrificados a sanha gananciosa de um grupo de despeitados prestigiados pela força.

É necessário reagir quanto antes, em defesa de desses direito periclitantes.

O Governo do benemérito coronel Antônio Bittencourt confia e espera a solidariedade do povo amazonense.

Cada cidadão deve ser um defensor desse Governo de honestidade.

Às armas, povo amazonense!

No quartel da policia há armamento para a defesa do Governo.

Manaus, 8 de outubro de 1910.”