Este texto foi inicialmente escrito como um roteiro de podcast, portanto comentários e alguns erros de revisão poderão aparecer ao longo dele.
Paris, 1789.
A França e seu povo estavam dividia em 3 estados:
- ·O Clero, com seus bispos, abades e sacerdotes
- A nobreza composta do condes, duques, viscondes
- E o povo, com os camponeses, artistas, artesãos e comerciantes
Tanto o clero quanto a nobreza possuíam vários privilégios, como isenção de impostos e gordas pensões do estado enquanto o povo bancava toda essa regalia. Para completar a situação, a França não passava por um bom período econômico. As últimas guerras e a ajuda à independência americana deixaram um rombo nas contas públicas. Além disso, faltavam comida e trabalho.E enquanto os nobres se esbaldavam em festas e jantares enquanto boa parte do povo passava fome.
Já a alguns anos, as idéias iluministas circulavam pela França, pregando a pensamento baseado na razão e o fim da intolerância da igreja. A autoridade real era cada vez mais questionada. A participação francesa na construção da democracia nos Estados Unidos só reforçou mais ainda esses questionamentos e revoltas surgiam por todos os lado.
O movimento crescia ate que no dia 14 de julho de 1789 a Bastilha, prisão conhecida por abrigar inimigos políticos do Rei foi finalmente tomada. Apesar disso, a maioria dos preso já tinha sido transferidos ou liberados, contado com apenas 8 prisioneiros no dia do ataque. A causa real para o ataque, foi o boato de que tropas leais ao rei estariam se dirigindo a Paris e que haveria sangrenta repreensão aos revoltosos. Todos deviam tomar armas para se defender e acreditava-se que la havia um grande estoque de pólvora.
Os revoltosos seguem para Versalhes capturam o rei e sua família, que são enviados para o Palácio das Tulheiras. Secretamente, Luis XVI trama uma fuga para a Áustria para de la tentar retomar o poder. Durante a fuga, ja quase na fronteira, é reconhecido e preso novamente sendo mandado de volta para o Palácio das Tulherias. Em 1792, sentindo que não enquanto sua mera existência era um risco para a revolução, rei e rainha são condenados a morte e executados na guilhotina.
A partir dai, ocorrem uma série de disputas pelo poder pois interesse em derrubar a monarquia era o único consenso entre os revoltosos ate que 1799 um jovem general, que já a algum tempo vinha acumulando mais e mais vitorias no campo de batalha aproveita a bagunça e o clima de terror que se espalhara pela França e resolve tomar para si o poder. Era o Inicio da era napoleônica.
Inicialmente nomeado cônsul e em seguida imperador da França, Napoleão colecionava sucessos nos campos de batalha, sobrepujando mais e mais nações, garantindo assim posição de domínio na Europa continental.
Conquistado o continente, Napoleão se voltava agora para a Inglaterra, seu principal inimigo. Famosa por sua esquadra, e sem acessos que permitissem uma invasão por terra , napoleão traçou a estratégia de sufocar a Inglaterra economicamente, ordenando aos países sob seu domínio que não mais fizessem comercio com a ilha inglesa, e ameaçando invadir quem o desobedecesse. Era o chamado bloqueio continental.
Dessa forma, entra na historia uma pequena nação na península ibérica. Esse país, grande explorador dos mares em tempos anteriores, não vivia mais seus melhores momentos. E foi ai que os ventos começaram a mudar em favor de um outro país, do outro lado do atlântico.
Encurralado entre ingleses e franceses, Portugal tentava a todo custo a neutralidade, chegando ao ponto de negociar secretamente tratados com ambas as nações. Vendo que as negociações eram infrutíferas, Napoleão decide invadir Portugal em 1807, marchando ate Lisboa. Em novembro do mesmo ano, as pressas a corte portuguesa, nobres e funcionários públicos do alto escalão fogem em direção ao porto e aguardam, aflitos, ate que a situação dos fosse favorável para a partida. Quatro naus britânicas são destacadas para escoltar os navios portugueses rumo ao Brasil. O comandante das naus inglesas, tinham ordens de bombardear Lisboa caso Dom João VI mudasse de ideia e decidisse se juntar aos franceses. Todas as reservas do banco central português haviam sido levadas.Apesar disso, na fuga apressada, muitas obras de arte, livros, prataria e ouro acabaram sendo largadas pelo caminho.
O povo estava agora sozinho, abandonado pelo seu próprio governo e a merce dos soldados franceses que ao chegarem na capital na manhã do dia 30 de novembro ainda puderam ver no horizonte os barcos portugueses partindo rumo a América.
Em Janeiro de 1808 os navios finalmente chegariam ao Brasil, aportando em Salvador, na Bahia. Em uma grande solenidade, Dom João determina a abertura dos Portos brasileiros a todas as nações amigas, em especial a Inglaterra que possuía grande interesse comercial em negociar com o Brasil sem intermédio de Portugal. Em seguida, a comitiva parte novamente para o Rio de Janeiro e em março do mesmo ano finalmente os navios aportam no cais do largo do Paço.
A chegada da família real ao Rio de Janeiro marcou o inicio da transformação da cidade na metrópole que é hoje. Além de permitir a entrada dos produtos ingleses, Dom João VI também foi responsável pela criação do Banco do Brasil, da Academia Real Militar, da Escola de Medicina, da Biblioteca Real, do Jardim botânico da imprensa real, trazendo os primeiros tipógrafos para o país dentre muito outros. O Brasil deixava de ser uma mera colonia, recebendo o titulo de reino unido e passando a ser o centro do poder do império.
Na Europa, com o passar dos anos, a França perdia a hegemonia. Os franceses haviam sido expulsos de Portugal com apoio dos ingleses, e uma serie de derrotas poria fim ao período napoleônico em 1815.
Apesar disso, a corte portuguesa permaneceu no Brasil a despeito do fato de que a ameaça de invasão se extinguira. Para Dom Joao, voltar para Portugal era permitir a independência do Brasil. Ja em Portugal, o sentimento crescente de abandono erá tanto que ocorreram uma serie de revoltas. No ano de 1820, ao retornar de uma viagem para o Brasil, o Marechal inglês William Beresford, responsável pelo comando do militar e representante do Rei em Portugal foi simplesmente impedindo de aportar, sendo obrigado a voltar para Londres. Os lideres do movimento exigiam dentre outras coisas que a corte retornasse para Portugal em prestassem juramento a uma nova constituicao. Basicamente estavam pregando o fim da monarquia absolutista. Diante da pressao, em 1821 Dom João VI parte de volta para Portugal, deixando aqui seu Filho Pedro I, mas levando todas as reservas de ouro e prata do Banco do Brasil.
Mesmo com a volta de Dom Joao, pressão para que o Brasil voltasse a ser apenas uma colonia e exigem a volta de Dom Pedro para Lisboa. Diante de tais exigências, Dom Pedro acaba por romper com Portugal e declarar a independência do Brasil.
Entretanto, se engana quem pensa que essa ruptura foi pacifica ou tranquila. Dom Pedro combateu diversos focos de resistência portuguesa. Alem disso, enfrentou vários movimentos separatista já que não havia nessa época no Brasil um conceito de unidade, de forma que varias províncias no Nordeste e o Sul quase se tornaram outros países, semelhante ao que ocorreu na América espanhola.
Por nao ter um exercito forte e bem treinado, Dom pedro se utilizou de mercenários ou oficiais estrangeiros contratados. Ao fim de 1823, finalizada a campanha militar, o Brasil seguia agora para o campo diplomático visando obter o reconhecimento pelas demais nações europeias. Em 1825, com a assinatura do tratado do Rio de Janeiro, Portugal reconhecia enfim a independência do Brasil em troca de uma indenização de dois milhões e meio de libras, emprestadas, obviamente pela Inglaterra.
O Brasil era agora um pais livre. Mas tinha muitos problemas a resolver e uma grande dívida pela frente. A independência foi marcada pela não ruptura do status quo, ou seja, uma mesma elite dominante continuou explorando o resto da população e a escravidão também foi mantida. Os primeiros anos do novo pais foram atribulados e diversas revoltas sugiram no Nordeste e Sul do Brasil. A perda da Província Cisplatina, após derrota na guerra do mesmo nome também contribuiriam para abalar o prestígio do imperador. Além disso ele acaba se envolvendo na disputa do trono de Portugal, que ficara vago com a morte de seu pai, D.João VI. Dom Pedro acaba abdicando de seus direitos em favor de sua filha D.Maria da Glória e permanece no Brasil.
Com a popularidade em baixa, Dom Pedro passa de liberal a absolutista, perseguindo vagem lhe e contrario. O assassinato do jornalista oposicionista Libero Badaró, a mando de pessoas ligadas ao governo, aumenta a pressão da opinião pública contra D.Pedro I. Diversos incidentes eclodem em várias províncias, e o mais sério deles ficou conhecido como a Noite das Garrafadas quando no dia 12 de março de 1831, portugueses e brasileiros se enfrentaram nas ruas do Rio de Janeiro usando paus e garrafas.
Perdendo o apoio ate mesmo da sua guarda pessoal, Dom Pedro percebeu que poderia muito em breve ter o mesmo destino do rei francês do começo da nossa historia. Para evitar o fim do império, no dia 7 de abril de 1831, Dom Pedro renuncia, transferindo o trono de seu filho Pedro II, que tinha apenas 5 anos de idade e foge durante a madrugada de volta a Portugal. O Brasil seria finalmente, depois de 331 anos sendo comandado por portugueses, a ser governado por um brasileiro.
Impossibilitado de assumir devido a sua menoridade, é então formada uma regência provisória para administrar o país ate que o Pedro II estivesse apto a assumir o império brasileiro. Mas isso, bem, isso é uma outra história `